Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica

Green Solar - Referência em energia renovável

Prestes a completar 112 anos, Belo Horizonte não é a mesma. Mais prédios, muitos carros, menos jardins. E mais um título, somado ao de ser campeã do turismo de negócios. Ela também é considerada a capital brasileira de energia solar. São mais de 2 mil prédios que utilizam coletores de energia – tecnologia mais difundida entre as iniciativas da arquitetura sustentável, que reduz impactos na construção civil. Parte desse resultado está no trabalho da Cemig, que investe desde 1984 em programa de energia solar.

Os investimentos da empresa alavancaram um dos mais importantes centros de excelência na área: o Grupo de Estudos em Energia Solar ou Green Solar, da PUC Minas. Fundado em 1997, ele mantém um prédio-laboratório, projetado de acordo com os princípios da arquitetura bioclimática, com equipamentos de ultima geração para pesquisas em energia solar. Sua equipe de pesquisadores tem 8 professores doutores, 7 técnicos e cerca de 30 alunos de diversas áreas do conhecimento. A estrutura, adquirida em grande parte com parceria da Cemig, fez o Green Solar uma referência no Brasil.

Atuação

O Green Solar é o único laboratório brasileiro que faz ensaios de coletores solares para o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Segundo Elizabeth Marques Pereira, coordenadora do Green, a tecnologia para a verificação dos coletores foi implantada em Minas Gerais em 1984, em parceria com a Cemig, quando a professora ainda trabalhava na UFMG. Em 1997, o Inmetro iniciou o Programa Brasileiro de Etiquetagem de Coletores Solares, que cresceu significativamente a partir de 2004, por meio da parceria entre o Green Solar, a Eletrobrás e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). “O laboratório instalou o primeiro simulador solar para ensaios internos da America Latina, sendo que á época havia somente seis equipamentos similares no mundo. Hoje são oito”, explica.

O objetivo com o projeto era desenvolver tecnologia nas áreas da Arquitetura Bioclimática e Habitação Solar Sustentável, para aprimorar os testes dos coletores ao Programa Brasileiro de Etiquetagem (Inmetro/Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – Procel) e aos painéis fotovoltaicos. “Essa prestação de serviço gera reconhecimento e recursos, permitindo ao Green manter a instrumentação calibrada, além de uma equipe de qualidade”, afirma Elizabeth.

Benefício Social

A energia solar é uma das alternativas para o aquecimento da água em residências. Consiste de energia limpa, renovável e que pode ser democraticamente distribuída pelo território brasileiro. Mas as classes de baixa renda encontravam barreiras para acessar essa alternativa energética. A fim de transformar essa realidade, o Green desenvolveu um projeto inovador na comunidade de Sapucaias/Contagem, que contou com o financiamento da Eletrobrás e o apoio logístico da Cemig. A iniciativa envolveu a instalação de 100 aquecedores solares em residências unifamiliares, monitorando ao longo de seis anos. Os resultados evidenciaram a viabilidade do aquecimento solar para essa comunidade, pois a economia média de energia gerada durante um ano foi de 28,5% reduziu o valor final pago em 40%, quando considerado o valor da conta em reais.

O projeto, no entanto, apresentou dificuldades de inserção de tecnologia nas casas individuais, dadas as limitações construtivas e de custos. “Constatou-se ainda, a comercialização por parte de alguns moradores cerca de 30% dos sistemas portáteis utilizados”, conta Elizabeth. O Green Solar e a Cemig desenvolveram, então, o P&D183, um projeto inovador que usa o “aquecimento distrital”, ou seja, uma tecnologia que centraliza o sistema de coleta de calor e a distribuição de água quente, impedindo a venda dos coletores pelas famílias. O Green já domina essa tecnologia, mas precisa desenvolver modelos sustentáveis para aplicá-la em comunidades carentes do país.

Luz Natural

Outro projeto importante para o Green Solar foi o P&D128, que pesquisou a disponibilidade de luz em Belo Horizonte como base para programar a iluminação pública artificial noturna. Por lei, o tempo determinado para o consumo de energia nas vias públicas é de 12 horas, mas algumas prefeituras questionaram esse número, em razão da grande incidência de insolação no Brasil.

A Cemig e a prefeitura de Belo Horizonte escolheram o Green Solar para fazer medições. “ Na época  construímos a primeira estação de medição de iluminância pública da América Latina”, explica Elizabeth. A pesquisa foi realizada em dois anos (2005-2007), numa parceria com a Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG. Os pesquisadores acompanham sistemicamente o nível de iluminância em cinco pontos de Belo Horizonte considerando o adensamento urbano, o relevo, a arborização, a poluição e as estações do ano.

O resultado final ainda não foi divulgado, mas o estado permitiu desenvolver um software aplicável a qualquer região do país. Desse modo, todo município pode calcular real de horas utilizadas para o faturamento da iluminação pública, considerado fatores como latitude e longitude e características especificas de sua localidade.

Para Elizabeth, esse projeto gerou resultados riquíssimos. Ela conta que, quando os pesquisadores estudaram a influência das cores edificações no nível de iluminância, foi necessário colocar plásticos de diversas cores nos pontos de medição. “Minha avó já dizia que nessa hora todos os gatos são pardos. Era um ditado popular cheio de sabedoria. Realmente, na hora do nascente e do poente, não há distinção de cores. Portanto nesse horário, todos os gatos são pardos mesmo”, brinca.

Texto retirado do Informativo do Programa de Gestão Estratégica de Tecnologia da Cemig - 2009 - no 5

Feeds Mapa do Site
Feeds Dúvidas Comuns
Feeds RSS   : ? :

BUSCA

ÁREA RESTRITA



Contato: Utilize o nosso formulário novo!